O que fazer quando a bomba já estourou dentro do cartório
Você conhece a história (ou talvez esteja vivendo ela agora).
A Carla (nome fictício, mas bem real) era o terror do cartório.
Tóxica. Debochada. Arrogante com os clientes. Mandona com os colegas.
A dona da verdade. E ainda por cima, expert em um processo chave.
15 anos de casa. Achava que mandava mais do que o próprio registrador.
E quando alguém tinha a coragem de chamar atenção?
Ela soltava, com aquele olhar de desprezo:
“Então me manda embora, ué!”
E o que o líder fazia?
Empurrava com a barriga. Deixava rolar.
Até perceber que todo mundo bom estava indo embora…
Menos a Carla.
Se você já passou (ou está passando) por isso, senta aqui. Vamos conversar.
Esse texto não é pra quem faz vista grossa.
É pra você que tá cansado de ser refém de funcionário que vive testando limite.
É pra você que quer liderar com inteligência emocional e firmeza.
Não com medo.
Agora, se você é do tipo que prefere ignorar o problema e fingir que vai se resolver sozinho…
Esse conteúdo vai te incomodar.
Mas talvez seja exatamente o incômodo que você precisa pra virar o jogo.
“Mas é só demitir logo!” Será?
Na teoria, sim.
Na prática, a história é outra.
Todos os dias, escutamos histórias assim. E sempre vem o mesmo repertório de desculpas:
- “Eu não tenho dinheiro pra pagar a rescisão agora.”
- “Ele é péssimo, mas é o único que sabe mexer no sistema.”
- “Vai dar muito trabalho treinar alguém novo.”
- “Se eu demitir, fico sem ninguém no setor.”
- “Tô exausto, não tenho energia pra lidar com isso agora.”
Você tolera.
Mas todo dia que você adia…
📉 você perde liderança
📉 seu time perde confiança
📉 o ambiente perde saúde
E o pior: você reforça pra todo mundo que mau comportamento compensa.
Vamos encarar a real?
Se a pessoa já tá fazendo pirraça, criando caso, testando os limites…
Ela já foi emocionalmente.
Ela já pediu demissão, só não formalizou.
Você só tá adiando o inevitável.
E nesse meio tempo, tá perdendo gente boa, deixando o clima ruim e gastando energia pra conter incêndio em vez de construir um time.
O que fazer, então?
1. Planeje a saída com estratégia, não com raiva
A rescisão é pesada? É.
Mas pense a longo prazo.
Exemplo:
Funcionário custa R$ 5.000 no salário, mas R$ 9.000 no total.
A rescisão pode ser R$ 65 mil?
Divide isso em 12 parcelas de R$ 5.400. Vale a paz? Vale a produtividade? Vale a liderança restaurada?
Sim. Resolve.
2. Treine alguém desde já
Não espere o último dia pra pensar em substituição.
Documente processos
Comece a treinar um backup
Compartilhe conhecimento
Você nunca mais vai ficar refém de uma única pessoa que “sabe tudo”.
3. Negocie com sabedoria
Se a pessoa quer sair, proponha um acordo claro.
Ofereça uma trégua: ela treina o novo colaborador, você organiza a saída de forma respeitosa.
Mas atenção: trégua não é barganha.
Você é o líder, não refém.
Liderar é decidir.
Demissão é sua. Mas a omissão também é.
Você não precisa agir com raiva ou impulso.
Mas também não pode seguir alimentando sabotagem disfarçada de “experiência”.
E como evitar cair nessa armadilha de novo?
Simples, mas exige rotina:
✅ Tenha backup pra funções críticas
✅ Documente cada processo
✅ Dê feedback com frequência
✅ Corrija desvios logo no começo
✅ Planeje desligamentos com antecedência
✅ Não entre em troca emocional com funcionário
A liderança não é sobre agradar. É sobre sustentar o que é certo.
Sim, você pode, e deve, ser empático.
Mas empatia não é omissão.
E deixar que uma pessoa desequilibre o time inteiro não é cuidado. É negligência.
Em resumo:
- Funcionário fazendo pirraça? Ele já se demitiu emocionalmente.
- Tolerar é alimentar o problema.
- Liderar é agir com coragem, consciência e estratégia.
- Resolver custa, mas não resolver custa mais.
Sabrina Gomes Regra.




