Se você é titular de cartório, precisa prestar atenção nisso.
Existe uma mudança silenciosa acontecendo na NR-1, e ela tem prazo.
A partir de maio de 2026, não estar adequado pode gerar:
- fiscalização
- multas administrativas
- responsabilização direta da gestão
- e até consequências trabalhistas mais graves
E o problema é que muitos cartórios ainda estão operando no modelo antigo.
Aquele modelo onde Saúde e Segurança do Trabalho era vista como:
- um conjunto de laudos arquivados
- documentos que chegam prontos da empresa de SST
- algo que só “existe” quando o fiscal aparece
Mas esse modelo acabou.
Agora não basta ter documentos.
Você precisa provar que gerencia riscos.
O erro mais comum: achar que estar “documentado” é estar em conformidade
Durante anos, bastava ter:
- LTCAT
- PCMSO
- PGR
Todos organizados, assinados e arquivados.
Só que agora existe uma mudança importante:
esses documentos deixaram de ser apenas formais.
Eles são diagnósticos da sua gestão.
E dentro deles já estão mapeados riscos como:
- sobrecarga de trabalho
- repetitividade de tarefas
- problemas ergonômicos
- falhas na organização do trabalho
- fatores que impactam a saúde mental
- exposição a estresse ocupacional
A pergunta que a fiscalização vai fazer não é mais:
“Você tem os documentos?”
A pergunta agora é:
“O que você fez com as informações que estão nesses documentos?”
1. Primeiro passo: parar de arquivar e começar a analisar
Se você quer começar certo, o primeiro movimento é simples, mas ignorado por muitos titulares:
estudar os seus próprios laudos.
O LTCAT, o PCMSO e principalmente o PGR precisam sair da gaveta e ir para a gestão.
Porque ali existe um diagnóstico claro do seu cartório.
E diagnóstico sem ação vira risco.
Se um risco foi identificado, precisa existir:
- plano de ação
- estratégia de mitigação
- acompanhamento
Caso contrário, você está assumindo o risco conscientemente.
2. O que mudou na NR-1 (e quase ninguém percebeu)
A grande virada da norma está aqui.
Agora o PGR precisa considerar também:
riscos psicossociais.
Na prática, isso inclui fatores como:
- pressão excessiva por produtividade
- falta de clareza nas funções
- conflitos internos
- assédio
- falhas de comunicação
- falta de reconhecimento
- liderança despreparada
- jornadas desorganizadas
Ou seja:
a forma como você lidera passou a ser um fator de risco regulado.
Isso muda completamente o nível de responsabilidade da gestão.
3. O próximo passo: envolver as lideranças
A NR-1 deixou de ser um tema exclusivo do SST.
Agora ela envolve diretamente:
- liderança
- gestão
- operação
Por isso, um passo essencial é:
sentar com suas lideranças e discutir os riscos reais do cartório.
A partir disso, você precisa construir um plano que considere:
- riscos ergonômicos
- riscos psicossociais
- dados de saúde ocupacional
- indicadores internos
E transformar tudo isso em um plano estruturado de prevenção.
4. Implementar o que você já sabe (mas ainda não formalizou)
Aqui vem um ponto interessante.
Muitas das exigências da NR-1 não são novidades.
Elas já existem — só não estão estruturadas.
Na prática, você vai precisar organizar elementos como:
- descrição clara de cargos e funções
- política de gestão e comportamento
- diretrizes de saúde e segurança
- indicadores de acompanhamento
- treinamentos periódicos
- canal de denúncias
- atuação da CIPA
- envolvimento das lideranças
- plano de ação para riscos identificados
Perceba:
o problema não é falta de conhecimento.
É falta de estrutura.
Agora isso passa a ser exigido como sistema de gestão.
5. O ponto crítico: gestão de indicadores (GRO)
Aqui está o que realmente diferencia quem está adequado de quem não está.
A NR-1 exige o chamado:
GRO — Gerenciamento de Riscos Ocupacionais.
E isso significa uma coisa muito clara:
não basta identificar riscos.
Você precisa gerenciar continuamente.
Na prática, isso exige:
- criação de indicadores
- acompanhamento mensal
- revisão de planos de ação
- identificação de novos riscos
Esse acompanhamento permite:
- antecipar problemas
- corrigir falhas antes que virem passivos
- evitar adoecimento ocupacional
- melhorar o ambiente de trabalho
Sem acompanhamento, não existe gestão.
E sem gestão, não existe prevenção.
O que acontece se você não implementar isso corretamente?
Aqui entra a parte que muitos ignoram, até ser tarde.
Se o cartório não conseguir demonstrar que:
- identifica riscos
- avalia riscos
- gerencia riscos
o problema deixa de ser apenas técnico.
Ele se torna:
jurídico e financeiro.
Na prática, isso pode gerar:
- multas administrativas
- autuações por ineficácia da gestão
- reconhecimento de nexo entre trabalho e adoecimento
- ações regressivas do INSS
- aumento de encargos (FAP/RAT)
- indenizações trabalhistas
- estabilidade acidentária
E um ponto crítico:
não basta ter o programa.
É preciso provar que ele funciona.
Sem evidência de gestão, o cartório perde a capacidade de defesa.
A mudança mais importante (e definitiva)
A NR-1 trouxe uma mudança de mentalidade.
Antes:
- foco em documento
Agora: - foco em gestão de risco
Antes:
- responsabilidade do SST
Agora: - responsabilidade de toda a estrutura
Incluindo você, como titular.
Se você não sabe por onde começar
Se nesse momento você está pensando:
“Eu nem sei como estruturar tudo isso…”
Essa é exatamente a realidade da maioria dos cartórios hoje.
A boa notícia é que, se você já tem seus laudos atualizados, você já tem o principal:
o diagnóstico.
A partir disso, empresas especializadas como a Resilience ajudam a:
- estruturar o gerenciamento dos riscos
- criar indicadores
- montar planos de ação
- treinar lideranças
- implementar o GRO na prática
Porque o que será cobrado agora não é mais papel.
É gestão real.
O resumo que você precisa guardar
Se você é titular, grave isso:
Quem não gerencia risco, assume risco.
E a partir de 2026, esse risco pode custar caro.
Muito caro.
Agora me conta:
Seu cartório hoje está mais próximo de:
- ter documentos
ou - ter gestão de risco real?
Se esse conteúdo te ajudou, compartilhe com outro titular ou gestor.
Porque essa mudança não é opcional.
Ela já começou.
Sabrina Gomes Regra.




