Se você trabalha em cartório, existe uma grande chance de já ter ouvido, ou até falado essa frase:
“Eu tive aumento… mas estou ganhando menos.”
E sim… isso parece injusto.
Mas na maioria das vezes, não é erro.
Não é falha do cartório.
E nem decisão do seu gestor.
É efeito da nova regra tributária.
E entender isso muda completamente a forma como você enxerga seu salário, e suas decisões de carreira.
O que mudou (e por que isso está confundindo tanta gente)
A reforma trouxe uma mudança importante:
a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.
Na prática:
- até R$ 5.000 → isento de IR
- acima disso → volta a ter desconto
Isso é ótimo para quem está nas faixas menores.
Porque significa:
mais dinheiro no bolso, sem aumento salarial.
Mas o problema começa justamente na transição.
O ponto onde nasce a frustração
Vamos direto ao exemplo real:
Você ganha R$ 4.800
→ não paga IR
Recebe aumento para R$ 5.200
→ entra na faixa de tributação
A expectativa é simples:
“Vou ganhar R$ 400 a mais.”
Mas o que acontece na prática?
- entra desconto de IR
- o aumento diminui no líquido
- e em alguns casos… quase desaparece
E aí vem a sensação:
“Fui prejudicado.”
A verdade que pouca gente entende
Seu salário não diminuiu.
Seu salário aumentou.
O que mudou foi outra coisa:
a incidência de tributos sobre essa nova faixa.
O sistema funciona assim:
- passou de determinado valor → nova tributação
- quanto maior o salário → maior o desconto proporcional
E isso não é decisão do cartório.
é regra da legislação.
O que o cartório NÃO controla
Esse é um ponto importante para evitar conflitos desnecessários:
O cartório não define:
- a tabela do Imposto de Renda
- as faixas de desconto
- os percentuais aplicados
ele apenas cumpre a lei.
Ou seja:
culpar a gestão não resolve o problema, só cria desgaste.
Nem todo aumento aparece no bolso (mas ainda é crescimento)
Aqui está um ponto que muda a sua visão de carreira:
nem todo aumento aparece imediatamente no salário líquido.
Mas isso não significa que ele não existe.
Porque o salário bruto maior impacta:
- férias
- décimo terceiro
- FGTS
- aposentadoria
- progressões futuras
Ou seja:
o ganho existe, mesmo que não seja imediato.
O que você pode fazer agora (e quase ninguém faz)
Se você quer entender melhor sua situação, comece por aqui:
1. Entenda seu holerite
Parece básico, mas a maioria não faz.
Aprenda a identificar:
- salário base
- descontos
- base de cálculo
- tributos
clareza elimina frustração.
2. Pergunte — da forma certa
Se tiver dúvida, converse.
Mas com postura profissional.
Exemplo:
“Quero entender melhor como ficou meu salário após o reajuste. Pode me explicar?”
Isso abre espaço para diálogo, não para conflito.
3. Pense no longo prazo
Carreira não é um mês.
é construção.
Um aumento hoje pode parecer pequeno…
mas pode ser o passo necessário para um crescimento maior amanhã.
Um recado importante para líderes
Se você lidera uma equipe no cartório, isso também é com você.
aumentos mal explicados geram frustração.
E frustração mal gerida vira problema de clima.
Por isso, sempre que possível:
- antecipe o impacto do reajuste
- explique as faixas de IR
- simule o salário líquido
transparência evita conflito.
A mentalidade que muda tudo
Existe uma frase que resume bem esse cenário:
quem ganha mais, paga mais imposto.
Pode não ser agradável.
Mas faz parte do jogo.
E profissionais que crescem entendem isso.
A principal lição aqui
Nem toda frustração significa injustiça.
às vezes significa falta de informação.
E quando você entende o sistema:
- evita conflitos
- melhora sua tomada de decisão
- ganha maturidade profissional
Um convite para você
Se você já passou por essa situação, saiba:
você não está sozinho.
E se ainda não passou…
provavelmente vai passar em algum momento da sua carreira.
Por isso, quanto antes entender esse tema, melhor.
Para fechar
Crescimento profissional não é sobre o que acontece em um único pagamento.
é sobre evolução ao longo do tempo.
E quem entende isso sai na frente.
Agora me conta:
Você já passou por essa situação de “ganhar mais… e receber menos”?
Se esse conteúdo te ajudou, compartilha com um colega de cartório.
Porque essa dúvida é muito mais comum do que parece.
E informação evita frustração.
Sabrina Gomes Regra.




