As 5 Emoções que Sabotam o Trabalho em Equipe no Cartório

Você já se perguntou por que, às vezes, os mesmos conflitos se repetem no cartório, mesmo quando os processos estão todos no papel, bonitinhos, claros, organizados?

Ou por que algumas pessoas da equipe parecem reagir exageradamente a críticas simples?

Pois é. Na maioria das vezes, o problema não está no processo. Nem no cliente, nem no volume de serviço.

Está nas pessoas.

Ou melhor: nas feridas emocionais que todos nós carregamos, inclusive você.


O que são feridas emocionais?

As feridas emocionais são padrões profundos de dor que se formam geralmente lá atrás, na infância, a partir de experiências marcantes com figuras importantes (pais, cuidadores, professores).

Crianças, ainda sem entender o mundo, interpretam situações de dor emocional como verdades sobre si mesmas:

  • “Eu não sou bom o bastante.”
  • “Não posso confiar em ninguém.”
  • “Eu não mereço ser feliz.”

A gente cresce, se forma, começa a trabalhar, mas essas feridas não ficam na porta do cartório. Elas entram junto conosco, todos os dias. E moldam:

  • Como nos relacionamos.
  • Como recebemos críticas.
  • Como lidamos com desafios.
  • Como trabalhamos em equipe.

Todos nós temos essas feridas?

Sim! Todos nós passamos pelas 5 feridas emocionais em algum grau. O que nos diferencia é:

  • Para alguns, elas cicatrizaram.
  • Para outros, continuam inflamadas e geram padrões repetitivos que sabotam o dia a dia.

Quem popularizou essa teoria foi Lise Bourbeau, no livro “As 5 Feridas que Impedem Você de Ser Você Mesmo.”

E, pode acreditar: isso tem tudo a ver com cartórios.

Cartórios são feitos de pessoas.
Pessoas atendem pessoas.
E pessoas feridas… às vezes ferem outras pessoas.

Se você quer liderar com inteligência emocional, precisa aprender a reconhecer essas feridas em você e no seu time.

Vamos entender cada uma?


1. Ferida da Rejeição — O Medo de Não Ser Bom o Suficiente

Essa ferida nasce quando, lá atrás, a criança sentiu que não era desejada ou aceita.

Na vida adulta, cria profissionais:

  • Extremamente sensíveis a críticas.
  • Com medo de se expor.
  • Que preferem ficar “invisíveis” pra não correr o risco de errar.

No cartório, é aquele funcionário que faz tudo certo, mas nunca assume responsabilidades maiores. Parece “desligado”, mas no fundo tem medo de não ser suficiente.

✅ Como líder:

  • Repare em sinais: defensividade, baixa autoestima, silêncio em reuniões.
  • Valorize pequenos avanços.
  • Nunca rotule essa limitação como preguiça ou incompetência.

Lembre-se: às vezes, a ausência de atitude não é preguiça, é medo.


2. Ferida do Abandono — A Necessidade de Ser Notado o Tempo Todo

Essa ferida surge quando a criança se sentiu deixada de lado, emocional ou fisicamente.

Na vida adulta, gera profissionais:

  • Que buscam aprovação o tempo todo.
  • Que se magoam se não forem “lembrados.”
  • Que têm dificuldade de trabalhar sozinhos.

No cartório, é o colaborador que quer estar envolvido em tudo, não por produtividade, mas por medo de ser esquecido.

✅ Como líder:

  • Olhe nos olhos. Chame a pessoa pelo nome.
  • Reconheça entregas com sinceridade.
  • Evite deixar essa pessoa isolada.

Cuidado: se não for acolhida, essa ferida gera ciúmes, fofocas e clima tóxico.


3. Ferida da Humilhação — O Peso da Vergonha e do Julgamento

Essa ferida nasce quando a criança foi exposta ao ridículo ou criticada em excesso.

Na vida adulta, gera profissionais que:

  • Têm vergonha de desejar coisas para si.
  • Dizem “sim” para tudo, mesmo sobrecarregados.
  • Vivem se culpando e depois cobram reconhecimento.

No cartório, é aquele funcionário que “faz tudo,” mas se sente explorado.

✅ Como líder:

  • Incentive limites saudáveis.
  • Permita que as pessoas digam “não” sem culpa.
  • Mostre que desempenho não precisa vir à custa da saúde mental.

Atenção: a ferida da humilhação alimenta vitimismo e julgamentos, sabotando a cultura de equipe.


4. Ferida da Traição (ou Desconfiança) — A Dificuldade de Confiar em Outros

Essa ferida nasce quando a criança foi traída por alguém de confiança.

Na vida adulta, gera profissionais:

  • Controladores.
  • Autoritários.
  • Que não conseguem delegar.

No cartório, é o funcionário (ou líder!) que:

  • Centraliza tudo.
  • Vive desconfiando dos colegas.
  • Acredita que “ninguém faz tão bem quanto ele.”

✅ Como líder:

  • Construa confiança passo a passo.
  • Crie processos claros e previsíveis.
  • Mostre que colaboração é mais eficaz do que controle.

Cultura de confiança só nasce quando o medo de traição é substituído pela clareza de que somos todos humanos.


5. Ferida da Injustiça — A Rígida Busca por Perfeição

Essa ferida surge quando a criança foi tratada com exigência excessiva ou frieza.

Na vida adulta, gera profissionais:

  • Extremamente críticos.
  • Obcecados por perfeição.
  • Que têm dificuldade com emoções próprias e dos outros.

No cartório, é o colaborador (ou gestor!):

  • Ultra produtivo.
  • Mas pouco empático.
  • Que surta quando algo sai do padrão.

✅ Como líder:

  • Valorize o processo, não só o resultado.
  • Mostre que vulnerabilidade não é fraqueza.
  • Crie espaços de escuta e acolhimento.

A cultura do erro como aprendizado é o melhor antídoto contra o medo da injustiça.


E agora? O que fazer com tudo isso?

Saber dessas feridas não serve pra rotular ninguém. Serve pra compreender.

Serve pra você, como líder ou colega, aprender a agir com:

  • Empatia.
  • Inteligência emocional.
  • Comunicação mais eficaz.

Se você quer começar essa transformação no seu cartório, aqui vão 5 passos práticos:


✅ 1. Auto-observação

Antes de liderar outros, lide com você.

  • Qual ferida mais aparece em você?
  • Em quais situações ela se manifesta?

✅ 2. Escuta ativa

Não ouça só as palavras.
Ouça emoções. Tons de voz. Silêncios. O que está nas entrelinhas.


✅ 3. Crie segurança emocional

Estabeleça um ambiente onde:

  • Errar não é punição.
  • Vulnerabilidade é força.
  • Crescimento é coletivo.

✅ 4. Feedback com empatia

Corrija com respeito.
Oriente com humanidade.
Mostre que se importa com a pessoa, não só com o resultado.


✅ 5. Invista em formação humana

Treine sua equipe não apenas em técnicas cartorárias.
Invista também em:

  • Comunicação.
  • Empatia.
  • Autoconhecimento.

Lembre-se:

As feridas emocionais não ficam na porta do cartório.
Elas entram com a gente, todos os dias.

Elas influenciam prazos, decisões, conversas e resultados.

Compreender isso é mais do que gestão. É cura de relações. É desenvolvimento humano. É construir um cartório mais saudável e forte.

Liderar é, antes de tudo, um ato de empatia.
E empatia exige que a gente enxergue além do crachá.


Gostou desse conteúdo?

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E se quiser aprofundar ainda mais sua jornada como líder, venha para as trilhas da CartórioFlix. Lá você encontra cursos completos sobre liderança, gestão de pessoas e inteligência emocional, tudo direcionado à realidade dos cartórios.

Boa sorte na sua jornada. E lembre-se: ninguém lidera sozinho. Estamos juntos nessa!

Sabrina Gomes Regra.

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