Se você trabalha em cartório, seja como titular, interino ou funcionário, existe uma mudança acontecendo que pode impactar diretamente o seu dinheiro.
E o problema é que quase ninguém está prestando atenção nisso ainda.
A nova Lei nº 15.270/2025 já começou a valer em janeiro de 2026.
Por enquanto, o caos está na operação:
- emissão de notas
- ajustes no ISS
- sistemas despreparados
- prefeituras se adaptando
Mas existe um ponto muito mais importante e silencioso:
o impacto real só vai aparecer na sua declaração de Imposto de Renda em 2027.
E ele pode significar algo simples:
você pagar até 10% a mais de imposto.
O erro que muita gente está cometendo agora
A maioria dos cartórios está focada apenas na parte operacional da mudança.
Mas o risco não está só aí.
O verdadeiro problema é não se preparar financeiramente ao longo de 2026.
Porque quando chegar 2027…
não vai dar mais tempo de corrigir.
1. Boa notícia para a equipe: mais dinheiro no bolso (sem aumento salarial)
Vamos começar pelo lado positivo.
A nova lei trouxe uma mudança relevante para quem recebe até R$ 7.350,00 por mês.
Na prática:
- até R$ 5.000,00 → pode ter IR zerado
- entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350,00 → redução progressiva
Isso significa que muitos profissionais do cartório, como:
- escreventes
- auxiliares
- atendentes
- equipes administrativas
podem perceber algo interessante:
um aumento no salário líquido sem aumento salarial.
O cartório paga o mesmo.
Mas o funcionário recebe mais.
Isso aumenta a renda disponível da equipe, sem custo adicional para a serventia.
Cuidado: o aumento pode virar frustração
Agora vem um ponto que poucos líderes estão considerando.
Se você pretende dar aumento para um funcionário…
esse aumento pode não virar ganho real.
Se o salário ultrapassar determinadas faixas, o colaborador pode:
- entrar em uma tributação maior
- ter aumento no desconto de IR
- e receber praticamente o mesmo (ou até menos) líquido
Resultado?
Aquilo que seria reconhecimento vira frustração.
Por isso, antes de qualquer reajuste:
converse com o Departamento Pessoal.
Explicar o impacto do imposto evita desgaste e desalinhamento.
2. Titular: atenção com lucros fora do cartório
Aqui começa um ponto importante, principalmente para titulares.
A nova lei criou uma regra de tributação sobre:
lucros e dividendos acima de R$ 50.000/mês.
Mas atenção:
isso não se aplica diretamente ao cartório.
O cartório:
- não é empresa
- não tem sócios
- não distribui lucros
A remuneração do titular é decorrente da delegação pública.
Ou seja:
o que você recebe do cartório não entra nessa regra.
Onde entra o risco então?
Se você, como titular, possui:
- holding
- empresa
- imobiliária
- consultoria
- qualquer outra pessoa jurídica
E recebe lucros acima de R$ 50.000/mês…
aí sim pode haver tributação de 10% na fonte.
E tem um detalhe importante:
- R$ 49.000 → isento
- R$ 51.000 → tributa sobre o total
Ou seja:
não é progressivo. É direto.
Isso exige planejamento.
3. O ponto mais importante: tributação mínima (e o risco escondido)
Aqui está a mudança mais relevante e mais perigosa.
A partir da declaração de 2027 (ano-base 2026):
- quem receber acima de R$ 600.000 no ano
(aproximadamente R$ 50.000/mês)
pode entrar em uma nova regra:
tributação mínima obrigatória.
O que isso significa na prática?
Mesmo que você pague corretamente o carnê-leão todos os meses…
a Receita pode fazer o seguinte:
recalcular sua carga tributária anual
E se entender que você pagou menos do que deveria:
vai cobrar a diferença na declaração anual.
No cartório: o que entra na conta?
Existe um ponto técnico importante:
- repasses obrigatórios (ISS, fundos etc.) → ficam fora
- mas a sua retirada líquida → entra
E aqui começa a insegurança.
O grande problema: ainda não existe consenso
Hoje existem duas interpretações sendo discutidas por especialistas:
🔹 Linha 1: baseada no faturamento
A Receita pode considerar o total do cartório (menos repasses obrigatórios).
🔹 Linha 2: baseada no resultado líquido
Apenas o que efetivamente sobra para o titular.
Dependendo da interpretação…
o impacto pode ser zero
ou
pode surgir um imposto adicional relevante
E esse é o ponto crítico:
ainda não existe clareza total sobre o cálculo.
O que fazer diante dessa incerteza?
Aqui entra a decisão mais inteligente:
se preparar para o pior cenário.
Ou seja:
considerar um possível aumento de até 10% no IR anual
E organizar seu caixa ao longo de 2026.
Porque se esse valor vier em 2027…
ele não será pequeno.
O resumo que você precisa guardar
Se você quer simplificar tudo, guarde isso:
Para a equipe:
- tendência de aumento no salário líquido
- sem aumento de custo para o cartório
- atenção em reajustes mal planejados
Para titulares:
- possível aumento da carga tributária
- atenção a outras fontes de renda
- risco de imposto complementar em 2027
Para todos:
2026 é o ano da organização financeira.
A decisão mais importante agora
Essa mudança não é só contábil.
Ela é estratégica.
Porque a forma como você organiza sua retirada, seus ganhos e seu planejamento ao longo de 2026…
vai definir o impacto que você vai sentir em 2027.
Se você quer evitar surpresas
Se nesse momento você está pensando:
“Isso está confuso…”
Fica tranquilo.
Esse tema realmente ainda está sendo interpretado.
Mas uma coisa já é certa:
quem não se planejar, vai sentir no bolso.
Contar com apoio de contabilidade especializada no extrajudicial faz toda diferença nesse cenário, principalmente para estruturar:
- retirada mensal
- projeção tributária
- organização financeira
A equipe da Resilience, por exemplo, já está atuando diretamente com cartórios nesse processo de adaptação.
Agora me conta:
Você já começou a se planejar para 2027…
ou ainda está focado só no operacional de 2026?
Se esse conteúdo te ajudou, compartilha com outro titular ou colega de cartório.
Porque essa mudança não vai pegar quem está preparado.
Ela vai pegar quem deixou para depois.
Sabrina Gomes Regra.




