Você já deve ter ouvido falar em soft skills e hard skills. Esses termos estão em todo lugar: processo seletivo, avaliação de desempenho, plano de carreira… Mas, na prática do cartório, o que isso realmente significa?
Mais do que palavras bonitas de RH, essas duas competências estão diretamente ligadas ao seu crescimento profissional, às oportunidades que você conquista e à forma como você constrói sua reputação no direito extrajudicial.
Hoje a gente vai descomplicar isso, trazendo para a realidade do cartório, com um exemplo muito concreto: o escrevente que atua com inventários e partilhas.
Por que esse assunto é tão importante hoje?
Os titulares e recrutadores de cartório observam, sim, o conhecimento técnico. Mas cada vez mais eles entendem que técnica pode ser ensinada, comportamento não.
O que realmente chama atenção?
- Comunicação clara
- Postura profissional
- Responsabilidade
- Inteligência emocional
- Vontade de aprender
É aqui que entram as hard skills e as soft skills.
O que são Hard Skills?
Hard skills são as competências técnicas.
É o que você aprende em cursos, treinamentos, faculdade, pós-graduação e na prática diária.
No cartório, isso envolve:
- Conhecimento da legislação do setor
- Domínio dos procedimentos internos
- Normas da Corregedoria e provimentos do CNJ
- LGPD aplicada à rotina cartorária
- Uso dos sistemas do cartório
- Técnica jurídica e capacidade de raciocínio
Hard skills respondem à pergunta:
“O que você sabe fazer tecnicamente?”
Sem técnica, não existe segurança jurídica. Simples assim.
E o que são Soft Skills?
Soft skills são as habilidades comportamentais e emocionais. Elas dizem respeito à forma como você trabalha, se comunica e se relaciona.
São elas que, na prática, abrem ou fecham as portas do seu crescimento.
Exemplos:
- Comunicação
- Organização
- Proatividade
- Ética
- Trabalho em equipe
- Inteligência emocional
Elas respondem à pergunta:
“Como você faz o seu trabalho?”
Hard Skills + Soft Skills = CHA
Na prática, estamos falando da lógica do CHA:
- Conhecimento → Hard skills
- Habilidade → Saber aplicar
- Atitude → Soft skills
No cartório, conhecimento sem atitude gera erro.
Atitude sem conhecimento gera insegurança jurídica.
Um não funciona sem o outro.
Agora vamos trazer isso para a vida real.
O caso do escrevente de inventários e partilhas
Inventário é uma das áreas mais sensíveis do cartório. O escrevente lida com:
- Falecimento
- Patrimônio
- Conflitos familiares
- Emoções intensas
- Alta responsabilidade jurídica
- Processos longos e complexos
É um atendimento que envolve família, advogado, documentos, prazos, órgãos públicos, tributos… e muitas vezes tensão.
Aqui, técnica e comportamento precisam caminhar juntos.
Hard Skills do escrevente de inventários
1. Conhecimento jurídico sólido
Esse profissional precisa dominar:
- Direito das sucessões
- Direito de família
- Diferença entre inventário judicial e extrajudicial
- Requisitos legais do inventário extrajudicial
- Código Civil
- Provimentos do CNJ e da Corregedoria
- Noções sobre holdings familiares
O advogado vai questionar. Pode discordar. Pode tentar conduzir o ato.
Se você não estiver preparado tecnicamente, perde autoridade.
Sem conhecimento, não existe segurança no ato.
2. Análise documental
Faz parte da hard skill:
- Saber quais documentos são necessários
- Entender para que cada um serve
- Conferir certidões e prazos
- Analisar documentos dos herdeiros
- Verificar regime de bens
- Conferir matrículas de imóveis
- Identificar pendências
Aqui entram atenção aos detalhes e responsabilidade técnica.
3. Procedimentos e sistemas
O escrevente precisa:
- Utilizar corretamente os sistemas
- Organizar processos físicos e digitais
- Controlar protocolos
- Acompanhar prazos
- Gerir tempo e tarefas
Eficiência também é técnica.
4. Noções de tributação
Mesmo não sendo contador, precisa entender:
- ITCMD
- DOI
- Guias e prazos
Isso evita retrabalho, atrasos e problemas futuros.
Agora vem o diferencial: as Soft Skills
É aqui que o profissional comum se diferencia do profissional que cresce.
1. Comunicação clara e empática
Inventário envolve família fragilizada.
Não basta dizer “está faltando um documento”.
É preciso explicar:
- Por que ele é necessário
- Como obter
- Qual o impacto no prazo
E ao mesmo tempo saber conversar tecnicamente com o advogado.
Boa comunicação reduz conflito.
2. Inteligência emocional
Conflitos entre herdeiros são comuns.
Advogados podem pressionar.
Famílias podem culpar o cartório por atrasos que não são do cartório.
O escrevente com inteligência emocional:
- Não toma partido
- Mantém neutralidade
- Não reage impulsivamente
- Sabe ouvir
- Sabe a hora de pedir apoio
Essa habilidade não aparece no sistema. Mas aparece no comportamento.
3. Organização e responsabilidade
Um escrevente não cuida de um inventário só.
Ele pode estar com:
- 8
- 10
- 15 processos em estágios diferentes
E todos os dias chegam novos.
Soft skill aqui significa:
- Cumprir prazos
- Acompanhar pendências
- Avisar clientes
- Priorizar tarefas
- Não deixar acumular
Isso gera confiança.
4. Ética e postura profissional
Inventários envolvem patrimônio e informações sensíveis.
Soft skill é:
- Sigilo
- Discrição
- Transparência
- Pontualidade
- Respeito
- Retorno de informações
Isso constrói reputação.
5. Proatividade e aprendizado contínuo
O escrevente que cresce:
- Busca cursos
- Se atualiza
- Pergunta quando tem dúvida
- Não espera só ordens
Imagina alguém que aprendeu a fazer partilha em 2014 e nunca mais estudou.
Quanta coisa mudou desde então?
O direito extrajudicial evolui o tempo todo. Quem para, fica para trás.
O que o titular realmente observa?
Quando um titular avalia um currículo, ele não consegue medir exatamente o que você sabe tecnicamente.
Mas ele percebe:
- Postura
- Comunicação
- Organização
- Confiabilidade
- Capacidade de lidar com situações difíceis
É isso que gera crescimento profissional.
A nova era dos cartórios
O cartório de hoje não comporta mais profissionais que sabem só “cumprir tabela”.
Precisa de gente completa.
Hard skills abrem a porta.
Soft skills fazem você subir os degraus.
Aqui na Cartórioflix, a gente acredita no desenvolvimento integral do profissional. Técnica, prática, comportamento, inteligência emocional, tudo junto.
Você não estuda só para saber mais.
Você estuda para se tornar melhor.
E o seu crescimento começa em você.
Agora me conta:
Qual habilidade você sente que mais precisa desenvolver hoje?
Sabrina Gomes Regra.




